quarta-feira, 10 de junho de 2020

Dos afetos necessários ou 83º dia do isolamento social de 2020


Para saborear ao som de "Do fundo do nosso quintal", de Alberto Souza, cantada por Jorge Aragão.

Fortaleza, 11 de junho de 2020.

Breno e Joana, meus irmãos amados,

Mais um pouco e vai clarear. Nos encontraremos outra vez. Com certeza nada apagará, esse brilho de vocês. O carinho dedicado a nós, derramamos pela nossa voz, cantando a alegria de não estarmos sós. É com esse trecho, de Alberto Souza, que hoje abraço vocês. Essa música me faz lembrar dos sambas e das caranguejadas na casa de nossa avó, na Agapito dos Santos; lembro das tardes felizes na casa da Pedro Pereira, do pé de laranja lima no quintal, das nossas confusões infantis, dos castigos da nossa mãe, da manhã em que brincamos com as pimentas colhidas do pé e burramente passamos as mãos nos olhos. Lembro de tudo isso, abro um sorriso e abraço vocês em pensamento. Que saudade boa eu sinto de vocês, meus irmãos! É extremamente difícil não encontrar com vocês. É extremamente difícil ficar sem os abraços. Sem as ordens que vocês adoram empregar como se eu fosse o irmão mais novo. Sem as nossas discussões e sem as nossas gargalhadas.

Os dias por aqui oscilam. Acredito que por aí também. Mas a gente respira e toca o barco. "Imagina se eu vou me entregar", repito a frase de Caio (que escrevi para Artur) e sigo. Afinal, não é à toa que tenho a palavra "Avante" gravada no peito. A vista para os verdes mares de Iracema - lugar onde sempre nadamos - alivia e acalma. A vista para o imenso verde da Messejana, também. Estamos conectados. A brisa do litoral abraça a cidade e entra no meu apartamento feito um sopro de esperança. Venceremos! Não me restam dúvidas! Por aqui, no Monte Castelo, me divirto com as jandaias - que agora percebo - passam alegres no cair da tarde. A liberdade deixa tudo mais colorido e intenso. O pôr-do-sol tá imensamente bonito. Sei que vocês também estão acompanhando. O rosa alaranjado colore os nossos dias. Bom para tá na beira do mar, penso alto. Mas vamos aguardar mais algumas semanas. Nos encontraremos dentro do mar - ao acaso - como já ocorreram algumas vezes.

Entre a boca da noite e a madrugada, trabalho. Tenho elaborado projetos culturais, participado de editais e captado recursos para uma associação. Escrevi 21 páginas do meu referencial teórico. A prova do mestrado da USP será em agosto. O da UFBA e da UFRJ ocorrem em setembro. Devo encaminhar meu projeto para alguma instituição de Portugal também. Estou atirando para todos os lados como vocês podem perceber. A única saída é o Pinto Martins! rs Apesar de tudo, o isolamento social tem me feito um bem danado. Na madrugada do último domingo recebi um convite inesperado. Fui convidado por um ex-professor (era da UFC e hoje pertence aos quadros da UFRN) para compor a equipe de assessoria de imprensa do Comitê Cientifico do Nordeste, que faz parte do Consórcio Nordeste (vejam aí no google). Fiz uma entrevista na segunda-feira às 10h da manhã. Tinha acabado de acordar. A voz estava daquele jeito. Fui aceito. Às 11:30 já estava em reunião com outros jornalistas que admiro e respeito. Sou o único do Ceará. Torçam por mim. Eu sei que vocês torcem. É só mesmo o costume de sempre pedir algo para vocês. Como quem diz: ei, pega aí meu copo! E vocês, indignados, pegavam, porque eu já estava sentado e pronto para almoçar.

O sol nasce bonito. Ouço os bem-te-vis e lembro de vocês. Não me perguntem o motivo. Na próxima semana faremos comidas de são joão. Vocês poderão passar para pegar vatapá, mungunzá doce e bolo de milho. Em troca, quero um bolo mole/luis felipe e um bolo fofo da nossa quase centenária padaria Globo. Sabor da infância e das nossas melhores lembranças. Combinem entre vocês quem vai comprar o que para não chegarem com dois bolos iguais no grande reino do Monte Castelo. Rs Apesar da brincadeira, falo sério. Estou desejando um bolo mole da padaria Globo. Me ajudem com isso. Eles não possuem serviço de entrega.

São tempos de afeto- e agradeço! Esta carta - escrita por mim e transcrita por uma outra pessoa - é a confirmação de que o amor e a gentileza já dão a tônica dos novos tempos. Por isso, não custa nada lembrar: Venceremos! Repito feito mantra por verdadeiramente acreditar. Vocês sabem. Sei que sim. Sinto saudade das nossas noites de vinhos com boa comida e boa conversa. Do cão mais legal de todos. Do menino Artur, que sempre chorava quando encontrava comigo. Dos meus cunhados queridos, Raissa e Samuel. Mas me conforta saber que logo mais nos encontraremos outra vez. Logo mais trocaremos abraços e celebraremos fisicamente a vida. Cuidem-se por aí. Por mim, por vocês e pelos nossos (amigos e familiares). Amo muito vocês! Obrigado do fundo do meu quintal de boas memórias.  Vocês são a minha parte mais bonita.

Com imenso afeto, amor e carinho,

Thiago.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Domingo à tarde.

Domingo à tarde.
Nem tudo é chato.
Nem tudo é tédio.
Nem tudo é remédio.

Domingo à tarde.
A poesia se faz.
O amor se faz.
Um carinho se faz.

Domingo à tarde.
O tempo remove.
O tempo percorre.
O tempo se faz.

Domingo à tarde.
Um riso.
Um abraço.
Um até logo.

Thiago Matos
Da barba por fazer, love songs e boas sensAções.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Do tamanho certo para o meu sorriso




O novo disco da artista Fafá de Belém é o Pará inteiro desfilando pelo Brasil. O álbum baila nas guitarradas eletrônicas do tecnobrega (marca registrada dos paraenses). Uma explosão envolvente para quem dança o teruá à dois. É verdade também que o disco possui um Q de dor de cotovelo com músicas românticas boas de serem ouvidas. Como sugestão, a faixa Asfalto Amarelo, música de Manoel Cordeiro, Felipe Cordeiro e Zeca Baleiro. Fafá de Belém, representante nata da cena musical do Norte, inova e se reinventa dentro de um bailado cativante e de qualidade "Do tamanho certo para o meu sorriso". Ouça aqui